
Foto: Divulgação - Arquivo ZMP
Falar sobre futebol é mexer com a opinião pública, gerar debates e despertar opiniões, geralmente marcadas pela paixão. Mas o caso aqui é diferente. Falamos de algo profundamente relacionado com o passado da cidade: o Fluminense de Feira, ainda na era do amadorismo, há quase oito décadas, com uma equipe que se consagrou dentro e fora de campo, formada por atletas que também eram cidadãos reconhecidos em suas atividades profissionais. Um deles, símbolo de um passado de conquistas, continua fisicamente entre nós.
O tempo, com sua magia, modifica tudo e dá novas formas à vida. A evolução, natural e impossível de conter, tem na fotografia uma aliada valiosa para registrar essas transformações com credibilidade ao longo dos anos. Assim, com essa inestimável ajuda, é possível voltar à década de 1940, no século passado, e conhecer um pouco da Feira de Santana daquela época por meio do futebol, praticado como esporte coletivo, entretenimento democrático e apaixonante.
Diferentemente dos dias atuais, quando atletas recebem salários milionários e começam a ser formados em escolinhas de futebol financiadas pelos pais, a partir dos oito ou nove anos de idade, naquela época, décadas atrás, predominava o amadorismo.
Jogar bola, para boa parte da sociedade, salvo as naturais exceções, era considerado coisa de moleque. No entanto, essa modalidade esportiva, hoje a mais popular do planeta, já contava com muitos adeptos e praticantes em Feira de Santana.
Em 1948, em um campo de dimensões oficiais, com gramado conhecido como “mata-burro” e cercado por bambus, pois ainda não havia alambrado, eram disputadas partidas entre clubes locais e equipes visitantes. É nesse cenário que aparece o Fluminense de Feira, pronto para enfrentar seu maior rival, o Bahia de Feira.
Na fotografia, estão registrados Ioiô, goleiro; Isaac; Tote; Mosquitinho; Heitor; Jackson do Amaury; Hélio Brasileiro; Nelsinho; Carlito; Erconval; Tuta; Antônio Cerqueira; Lázaro; Tapioca; e o massagista Pedrinho.
Passados 78 anos, aqueles jovens atletas que tão bem representavam a camisa tricolor já não estão fisicamente entre nós, com exceção de Isaac Suzart Gomes, o segundo na fotografia, usando uma boina tricolor. Empresário respeitado e querido na cidade, ele está aposentado, mas continua ligado à sua empresa, reconhecida pela marca Café Tabajara.
Independentemente de suas atuações no futebol, os integrantes daquela equipe conquistaram prestígio na Cidade Princesa também pelo exercício de suas atividades profissionais. O registro fotográfico preserva a memória de homens que atuaram em diferentes áreas e, sobretudo, construíram laços de amizade fortalecidos pelo esporte.
Uma menção especial merece Isaac Suzart Gomes, empresário de 98 anos, nascido em julho de 1928, que se aproxima de um século de vida. Líder de uma numerosa família, ele representa uma parte viva da história de Feira de Santana e é motivo de orgulho para a Terra de Senhora Santana.
Por Zadir Marques Porto
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