
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativo ao mês de setembro de 2026, teve seus dados sistematizados e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). O levantamento estima a produção baiana de cereais, oleaginosas e leguminosas em 14,0 milhões de toneladas, avanço de 8,7% em relação à safra de 2025. O resultado mantém a perspectiva de safra agrícola recorde na Bahia em 2026, impulsionada principalmente pelo desempenho positivo da soja e de parte dos principais grãos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, no primeiro levantamento do ciclo 2026/2027, estimou que a produção baiana de grãos deve se manter em patamar recorde, praticamente estável em relação ao ciclo anterior.
De acordo com o IBGE, a área plantada dos grãos, para 2026, está estimada em 3,75 milhões de hectares (ha), representando um avanço de 2,9% em relação à safra 2025. Com isso, o rendimento médio (3,72 toneladas/ha) da lavoura de grãos no estado da Bahia será 5,7% superior ao da safra anterior.
O volume de soja está estimado em 9,16 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 6,5% sobre o verificado em 2025. A área plantada com a oleaginosa no estado é de aproximadamente 2,18 milhões de ha. Com o avanço na safra e na área plantada, o rendimento médio de 4,2 toneladas/ha é 4,8% maior que o da safra anterior.
As duas safras anuais de milho, estimadas pelo IBGE, devem alcançar 3,29 milhões de toneladas, volume 20,1% superior ao de 2025. A área plantada, estimada em 690 mil ha, aumentou 15,0% no comparativo interanual. A primeira safra do cereal está projetada em 2,09 milhões de toneladas, 8,1% acima do observado em 2025. Já a segunda safra teve estimativa revisada para cima em relação ao levantamento anterior, apresentando expectativa de produção de 1,20 milhão de toneladas, avanço de 48,8% em relação à colheita anterior.
A demanda crescente do milho decorre de seu maior consumo na produção de etanol, iniciativa recente de indústrias baianas.
O algodão em caroço e pluma pode atingir uma colheita recorde, com produção estimada em 1,85 milhão de toneladas, aumento de 2,8% em relação a 2025, favorecido pelas condições climáticas para o desenvolvimento das lavouras. A estimativa indica que a Bahia se mantém como o maior produtor da Região Nordeste e o segundo maior do Brasil, respondendo por 19,4% da safra nacional, atrás apenas de Mato Grosso, com 70,1%. A área plantada cresceu 2,5%, alcançando 410 mil ha, enquanto o rendimento médio aumentou 0,3%, para 4,5 toneladas/ha. Os preços pouco competitivos no início do plantio, sobretudo nas áreas de sequeiro, os custos de produção mais elevados e as incertezas econômicas e geopolíticas condicionaram o desempenho da cultura.
Para a lavoura do feijão, a estimativa é de uma safra 10,3% menor na comparação com 2025, totalizando 168 mil toneladas. O levantamento estima área plantada de 320 mil ha, 8,6% inferior à safra anterior. A produção da primeira safra deverá alcançar 101 mil toneladas, 16,7% acima da registrada em 2025. Na primeira safra, o grão foi beneficiado pelo bom índice pluviométrico, porém, a baixa rentabilidade da produção levou à destinação de parte da área a culturas mais rentáveis. Já a segunda safra teve estimativa revisada para baixo em relação ao levantamento anterior, com expectativa de 67 mil toneladas, recuo de 33,3% em relação a 2025, refletindo as reduções de 5,9% na área e de 29,2% no rendimento médio.
Para o café, está prevista a colheita de 271 mil toneladas em 2026, 3,4% acima da observada no ano anterior. A safra do tipo arábica deverá alcançar aproximadamente 84 mil toneladas, com variação anual de -5,4%. Por sua vez, para a safra do tipo canéfora, espera-se produção em torno de 187 mil toneladas, 8,0% acima da colheita do ano anterior.
Para a lavoura da cana-de-açúcar, o IBGE estima produção de 5,50 milhões de toneladas, um declínio de 11,9% em relação à safra 2025. A estimativa da produção do cacau, por sua vez, ficou em 137 mil toneladas, apontando um avanço de 15,4% na comparação com a produção do ano anterior.
Na fruticultura, as estimativas apontam produção de 897 mil toneladas de banana, 633 mil toneladas de laranja e 154 mil toneladas de uva. Em relação à safra anterior, banana e laranja registraram variações de -1,0% e 0,2%, respectivamente, enquanto a uva apresentou crescimento expressivo de 50,9%, impulsionado pela alta de 17,6% na área colhida e de 28,3% no rendimento médio.
O levantamento ainda indica uma produção de 873 mil toneladas de mandioca, 3,8% inferior à de 2025. A batata-inglesa, com produção estimada em 343 mil toneladas, deverá registrar acréscimo de 0,8%; já o tomate, com 183 mil toneladas, deverá avançar apenas 0,2% em relação ao ano anterior.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu 1º levantamento do ciclo 2026/2027, estimou produção de 15,14 milhões de toneladas de grãos na Bahia, volume estável em relação ao ciclo 2025/2026.
A expectativa de estabilidade da produção baiana no ciclo 2026/2027 resulta da ampliação da área plantada em 110 mil ha, aumento de 2,7% em relação ao ciclo anterior, alcançando 4,19 milhões de ha, que deve compensar a redução do rendimento médio. Destaca-se a expansão da área plantada de soja (44 mil ha) e de milho (38 mil ha). O rendimento médio do conjunto das lavouras pesquisadas está estimado em 3,61 toneladas/ha, recuo de 2,6% em relação ao ciclo anterior.
A soja, segundo a Conab, tem produção estimada em 9,21 milhões de toneladas, 2,6% menor em relação à temporada anterior. Por sua vez, a área plantada pode avançar para 2,26 milhões de ha, alta de 2,0% em relação ao ciclo 2025/2026. Com isso, a produtividade estimada é de 4,07 toneladas/ha, representando queda de 4,5% em relação à safra anterior. Segundo a Conab, o cultivo da soja irrigada já foi iniciado no estado, mas as altas temperaturas e a baixa umidade podem prejudicar a fase inicial do desenvolvimento vegetativo, enquanto o plantio em sequeiro ainda não começou.
A produção de algodão, estimada em 2,15 milhões de toneladas, deverá ocupar 439 mil ha, o que representa recuo de 2,9% na produção e avanço de 3,3% na área plantada em relação ao ciclo 2025/2026. Segundo a Conab, o aumento de área é sustentado pela boa atratividade do algodão em relação às culturas concorrentes e pela busca por uma safra de maior valor agregado diante do risco climático do El Niño.
A produção de milho está estimada em 3,42 milhões de toneladas, aumento de 5,6% na produção e de 4,9% na área cultivada em relação ao ciclo anterior. As principais contribuições são esperadas na primeira safra, com 1,94 milhão de toneladas, e na terceira, com 1,31 milhão de toneladas. Segundo a Conab, a semeadura da primeira safra no estado deve ocorrer ao longo de outubro.
Para o feijão, a Conab estima produção de 297 mil toneladas, em uma área plantada de 347 mil ha, o que representa recuo de 4,4% na produção, com área praticamente estável (-0,1%) em relação ao ciclo 2025/2026. O avanço na produção é esperado apenas para a terceira safra do grão, com expansão de 26 mil toneladas ante o ciclo anterior. As estimativas para a primeira e a segunda safra apontam queda de 12,0% e 15,3%, respectivamente.
A produção de sorgo tem estimativa de crescimento de 17,7% para a safra 2026/2027, podendo alcançar 835 mil toneladas, resultado da expansão de 6,0% na área plantada e de 11,0% no rendimento médio.
Fonte: Ascom/SEI
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