
O Estado da Bahia entregou à população, nesta sexta-feira (2), o Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, em Salvador, após sete meses de obras de requalificação. Com investimento de R$ 1,7 milhão, executado por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), a intervenção ampliou a capacidade do espaço de 580 para 745 pessoas e promoveu melhorias em segurança, acessibilidade e infraestrutura, fortalecendo as condições para a realização de atividades culturais no Centro Histórico de Salvador.
Administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), o equipamento volta a integrar a programação cultural do Pelourinho com estrutura renovada para receber artistas, produtores culturais, moradores, visitantes e turistas. A reabertura contou com apresentações do Samba de Pretas e da cantora Aila Menezes.
Requalificação
Entre as intervenções realizadas estão a implantação de três rampas de acessibilidade, contemplando a entrada principal, o acesso secundário e o pátio de eventos, além da criação de uma segunda saída de emergência. O projeto também incluiu a implantação de rota de fuga, espaços de apoio, melhorias nas áreas de circulação e adequações na estrutura física dos ambientes internos e externos.
As obras solucionaram ainda problemas de infiltração decorrentes dos efeitos do tempo. Foram executados serviços de impermeabilização da laje, nas partes superior e inferior, recuperação estrutural e instalação de piso de alta resistência com polimento.
Programação cultural
A programação de reabertura continua neste sábado (3), a partir das 17h, com apresentações de Rogério Sacerdote e Viola de Doze. Na sequência, o público poderá acompanhar o show do sambista baiano Nelson Rufino, um dos nomes de destaque do gênero no país. A noite será encerrada com a apresentação de Eduardinho Fora da Mídia.
Durante o período de obras, a programação do Largo Pedro Arcanjo foi transferida para a Praça das Artes. Como medida para reduzir os impactos do fechamento sobre os comerciantes que atuavam no espaço, o Estado da Bahia disponibilizou barracas alugadas para a continuidade das atividades comerciais em outro local.
A segunda etapa da requalificação está estimada em aproximadamente R$ 2 milhões e prevê novas intervenções, entre elas a adequação dos banheiros para acessibilidade, a reforma do camarim e o desenvolvimento de um projeto para implantação de cobertura parcial do largo.
Mais espaço para a produção cultural
De acordo com Geovan Bantu, coordenador de Dinamização do Centro Histórico de Salvador do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à Secult-BA, a reabertura amplia as possibilidades de utilização do equipamento por artistas, produtores culturais e pela população.
“Estamos em um território sagrado, que é o Pelourinho, território cultural, efervescente, vivo, de muitas histórias e de memória. O que a gente acaba de entregar aqui é um novo equipamento cultural, um novo largo para a produção cultural, para os artistas e para a população de Salvador, do Centro Histórico, da Bahia e do Brasil, e também para os turistas”, afirmou.
Segundo Geovan Bantu, a retomada das atividades também representa a abertura do espaço para novas solicitações de uso. Os produtores que utilizam os equipamentos culturais administrados pela Secult-BA recebem apoio de infraestrutura e serviços, sem cobrança pela pauta, contribuindo para a realização de atividades culturais no local.
Baile de Todas as Cores
Parte da programação de reabertura, o Baile de Todas as Cores, comandado pela cantora Aila Menezes, retorna ao Largo Pedro Arcanjo, espaço onde o projeto foi realizado pela primeira vez, em maio de 2019.
Criado no Pelourinho, o projeto tem como proposta celebrar a diversidade e promover um ambiente de acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres. Para Aila Menezes, a realização do evento no Centro Histórico está diretamente relacionada à sua trajetória artística.
“Eu digo que aqui é o meu Ilê, é o meu quilombo. Por isso eu queria apresentar o Baile de Todas as Cores aqui no Largo Pedro Arcanjo, um lugar que, além de cultura viva, fosse um lugar que acolhesse pessoas LGBTs e especificamente mulheres, assim como eu, que temos tanta dificuldade em transitar em espaços, de curtir, estar no entretenimento, por ser um lugar que infelizmente é muito machista e onde a gente sofre muito assédio”, declarou.
A reabertura do Largo Pedro Arcanjo reforça a retomada da programação cultural no Pelourinho e amplia a oferta de espaços qualificados para a realização de eventos, apresentações artísticas e ações culturais, com mais segurança, acessibilidade e capacidade de público.
Repórter: Matheus Calmon/GOVBA
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